Em Santo André, no coração da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Marinha de Coroa Alta, o dia começou com um cheiro insuportável de óleo. O Rio João de Tiba, fonte de vida e beleza, foi mais uma vez violentado. A suspeita recai sobre a embarcação da Veracel, vista ancorada ali, como um intruso indesejado.
A empresa tentou abafar a indignação da comunidade com explicações burocráticas. Disse que o navio estava apenas esperando ventos melhores, que a missão era instalar um sistema elétrico. Ora, que coincidência conveniente! Enquanto isso, o óleo surge, o cheiro sufoca e a comunidade é obrigada a engolir justificativas esfarrapadas.
A presença da Veracel no território já é um fardo. Monoculturas de eucalipto que devoram a biodiversidade, agora barcos que deixam rastros no rio. É a repetição do mesmo enredo: lucro privado, prejuízo coletivo. O discurso é sempre “não houve impacto”. Mas o que os moradores viram e sentiram não se apaga com palavras frias.
A fiscalização apareceu, é verdade. Mas até quando o poder público será apenas coadjuvante dessa peça nojenta? Se não houver ação firme, a cada semana surgirá uma nova mancha, um novo cheiro, uma nova agressão. O povo já está cansado de ser tratado como plateia de um desastre anunciado.
Por Redação
